sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Dívida do goiano cresce quase 13% em 12 meses

(F: Valter Campanato/Agência Brasil)
Dados divulgados pela FCDL-GO (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás) e consolidados pelo SPC Brasil, o Serviço de Proteção ao Crédito, apontam que a inadimplência em Goiás cresceu 8,10% em novembro do ano passado, em relação a novembro de 2024.

O índice ficou abaixo da média brasileira, de 8,93%, mas foi o suficiente para pressionar as vendas no varejo goiano. "A primeira impressão é de que, apesar da grande movimentação nas lojas nos dias próximos ao Natal, o comércio sentiu que, em termos de faturamento, as vendas poderiam ser melhores. Foi significativo o volume de consumidores comprando à vista, mas as compras à prazo recuaram em comparação com anos anteriores", afirma Valdir Ribeiro, presidente da FCDL-GO.

O número de consumidores inadimplentes em Goiás cresce consecutivamente desde julho de 2024. Para Valdir, esse movimento pode ser explicado pela soma de múltiplos fatores, como inflação, altas taxas de juros e maior grau de endividamento das famílias. Para Valdir Ribeiro, mesmo com o aumento de 4% na renda média mensal dos brasileiros no 3º trimestre de 2025, em relação a igual período de 2024 (dado do IBGE), o consumidor inadimplente não tem conseguido colocar as finanças em ordem.

E os débitos estão se multiplicando. Exemplo disso é que, em novembro de 2025, cada goiano negativado devia em média R$ 5.303,93 (somando todas as dívidas). Em novembro de 2024, essa soma era de R$ 4.699,03 (uma elevação de quase 13% no período).

A maioria das dívidas vencidas dos goianos é devida para bancos (61,22%), outros segmentos da economia (12,27%), lojas do comércio (11,05%), concessionárias da água e luz (8,82%) e empresas de comunicação, como telefonia e internet (6,65%). Em novembro de 2025, cada consumidor inadimplente em Goiás tinha, em média, duas dívidas em atraso.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Ipasgo inicia cobrança de dependentes isentos em planos antigos

(F: Ipasgo)
O Ipasgo Saúde começa a cobrar já este mês a contribuição de dependentes dos planos antigos que eram isentos. A regra vale para os segurados vinculados aos planos básico e especial que contribuem com um percentual do salário. Quem já optou, mesmo nos planos antigos, pela a contribuição atuarial - por idade - não sofrerá mudança por já pagar pelos dependentes. 

A mudança é resultado da publicação da Lei Estadual nº 23.941/2025, em 11 de dezembro de 2025, que alterou a Lei nº 21.880/2023 para incluir essa contribuição como medida de equilíbrio e sustentabilidade do custeio assistencial, segundo o instituto.

"O objetivo é promover a justiça contributiva e preservar a continuidade dos serviços de saúde para toda a comunidade assistida, já que nesta antiga modalidade, 154 mil dependentes ainda não contribuíam com o plano", justifica o Ipasgo.

A contribuição foi limitada em 30% do valor da tabela atuarial dos planos básico e especial. A medida também estabelece um limite de proteção ao orçamento familiar. A soma das contribuições dos dependentes não pode ultrapassar o valor pago pelo titular.

Confira as informações detalhadas abaixo:

1) Para quem essa mudança vale?

A regra se aplica exclusivamente aos dependentes vinculados aos Planos Antigos (Básico e Especial) cujos titulares contribuem via porcentagem do salário.

Para quem NÃO muda nada: O titular (você) continua pagando a mesma porcentagem. Dependentes que já pagam o valor fixo por idade (tabela atuarial) também não sofrerão alterações.

2) O que muda, na prática?

Até agora, em alguns casos, os dependentes não tinham uma cobrança individual. Com a nova lei, eles passarão a contribuir com um valor equivalente a 30% da tabela atuarial (tabela de valores por idade) do plano.

3) Como funciona o cálculo? (Exemplo Fácil)

Imagine um titular do Plano Básico que contribui com R$ 253,23 (desconto direto no salário). Ele tem um filho de 10 anos como dependente.

É importante reforçar que o valor cheio da tabela para um filho 0 a 18 anos é de R$ 168,89.

A nova contribuição será de apenas 30% disso: R$ 50,67.

Valor final: O titular paga seus R$ 253,23 + R$ 50,67 pelo filho.

4) Limite de Proteção Familiar (A regra da "Trava")

Para proteger o orçamento das famílias, a Lei criou um teto: A soma do valor de todos os seus dependentes nunca poderá ser maior que o valor do desconto do titular.

Exemplo da "Trava": Se um titular tem 5 dependentes e o cálculo de 30% de todos eles somados seja R$ 322,08, mas o titular paga apenas R$ 265,15 de mensalidade, o mecanismo de trava limita o valor dos dependentes em R$ 265,15.

Obs: Para todos estes dependentes você não pagará mais do que paga por você mesmo.

5) Como aparecerá a cobrança?

O valor virá detalhado no seu demonstrativo ou contracheque, identificado de forma clara para que você saiba exatamente quanto é a sua parte e quanto é a dos seus dependentes.

6) Quando começa a valer?

Competência Janeiro/2026: A regra é de aplicação imediata e começa a valer em janeiro de 2026.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Lula lança Portal da Reforma Tributária; confira principais pontos

(F: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta terça-feira (13), do evento de lançamento da Plataforma Digital da Reforma Tributária, que marcou o início da fase de implementação da nova arquitetura tecnológica que dará sustentação à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

Durante o ato, Lula também sancionou Projeto de Lei Complementar nº 227/2026, que cria o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O órgão será responsável por gerir e coordenar operacionalmente o novo imposto que será compartilhado entre estados, Distrito Federal e municípios.

Lula atribuiu o avanço da Reforma Tributária ao diálogo com todas as partes envolvidas. “Se não fosse a dedicação desse punhado de gente que resolveu conversar, fazer reuniões à meia-noite, uma hora da manhã, receber desaforo, receber ‘não’, a gente não estaria hoje vivendo esse momento histórico”, destacou o presidente, na cerimônia realizada na Regional do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), em Brasília (DF).

No evento, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, indicou que a Reforma Tributária pode fazer o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescer 12% a mais em 15 anos, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Ela traz eficiência econômica e desenvolvimento para o país. O poder de tributar não pode ser para destruir, ele deve ser um poder para instruir e construir. E essa mudança histórica vai trazer desenvolvimento e investimento para o nosso país e o crescimento da economia”, afirmou.

Confira 15 pontos sobre a Reforma Tributária do Consumo:

O novo sistema e a plataforma digital

Portal da Reforma: Nesta terça (13) entrou em funcionamento o Portal da Reforma Tributária. Desenvolvido por Serpro e Receita Federal, vai centralizar a gestão de tributos, com calculadora, apuração assistida e declarações pré-preenchidas.

Infraestrutura: A plataforma digital tem capacidade para 200 milhões de operações por dia, e de movimentar 5 petabytes de dados por ano (um volume até 150 vezes maior que o do PIX).

IVA Dual: O Brasil começa a consolidar o Imposto sobre Valor Agregado (IVA Dual), composto por CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços - Federal) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços - Estadual e Municipal). Os dois vão substituir cinco atuais: PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS.

A transição

2026, o "Ano Educativo": O primeiro ano de implementação (2026) é focado na adaptação. Não há penalidades previstas para empresas que não cumprirem obrigações acessórias. A prioridade é o aprendizado do novo sistema.

Implementação Gradual: A transição completa ocorre entre 2026 e 2032. O sistema antigo e o novo vão coexistir no período. O IVA Dual passa a vigorar plenamente, para toda a sociedade, em 2033. Foi instituído um teto de 26,5% para a alíquota-padrão.

Para o contribuinte

Não há aumento de Carga Tributária: A reforma foca na mudança do modelo de cobrança (de arcaico para moderno) e não no aumento do que é arrecadado. O objetivo é a neutralidade fiscal, garante o governo.

Princípio do Destino: O imposto passa a pertencer ao local onde o bem ou serviço é consumido, e não onde é produzido. Isso acaba com a guerra fiscal entre estados e municípios.

Cashback para baixa renda: Uma inovação é a devolução de parte do imposto pago por famílias de baixa renda: justiça social direta no consumo, segundo o Executivo.

Cesta Básica Isenta: A criação de uma ampla cesta básica de itens com alíquota zero garante que itens essenciais de alimentação fiquem mais baratos e protejam o poder de compra da população. A nova cesta básica passa a valer a partir de 2027.

Fake News

Nada muda para MEIs: É falso que o Microempreendedor Individual (MEI) terá aumento de carga para 26,5%. O regime simplificado e favorecido do MEI continua sem mudanças estruturais.

Sem taxação de PIX e transações - Mensagens falsas indicam que transações bancárias superiores a R$ 5 mil serão taxadas em 27,5%, com multa de 150% para quem não pagar esse tributo inexistente. É falso. A Constituição proíbe explicitamente a tributação de movimentações financeiras. A Receita reforça que essa é uma mentira criada para disseminar pânico financeiro. 

Autônomos: Prestadores de serviços como pedreiros, jardineiros e pintores (pessoa física) não são obrigados a se formalizar ou emitir nota fiscal por causa da reforma. A reforma cria ainda a figura do nanoempreendedor (aquele que fatura até metade do limite do MEI, mas não é formalizado como MEI) que não pagará IBS e nem CBS nessa atividade.

Motoristas de Aplicativo: Aqueles que faturam até R$ 162 mil/ano (como nanoempreendedores) estão isentos de CBS e IBS.

Governança e Transparência

Comitê Gestor do IBS: É a instância técnica que reúne representantes de estados e municípios para arrecadar o imposto, distribuir as receitas e uniformizar a interpretação da lei. Garante que a regra seja a mesma em todo o país.

Fim da Cumulatividade: O novo sistema elimina o "imposto sobre imposto", torna o produto brasileiro mais competitivo e o sistema totalmente transparente para o consumidor, conclui a Receita.

HCN abre vagas para novas turmas de Residência Médica

(F: Divulgação/Imed)
Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu, anunciou novas turmas para o seu programa de Residência Médica. O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) e da Superintendência da Escola de Saúde de Goiás (SESG), publicou edital suplementar do Processo Seletivo Unificado para ingresso nos Programas de Residência em 2026.

Ao todo, serão ofertadas 17 vagas para todo o estado e dentre elas o HCN oferecerá 8 vagas para Residência Médica, sendo 4 para Ortopedia e Traumatologia, 2 para Pediatria e 2 para Oncologia Clínica. Todos os programas da unidade possuem duração de 3 anos e a especialidade de Oncologia Clínica tem como pré-requisito a residência em Clínica Médica. 

As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pela internet, no site do Instituto Verbena da Universidade Federal de Goiás (UFG), até 19 de janeiro, às 17h, no horário oficial de Brasília. Para participar, o candidato deve preencher o formulário eletrônico, gerar o boleto bancário, efetuar o pagamento da taxa de inscrição dentro do prazo e anexar a documentação exigida em edital. 

“Dando continuidade a esse processo de fortalecimento, o HCN dá agora um passo muito importante ampliando os nossos programas de residência médica. Essas novas residências de Ortopedia e Traumatologia, Pediatria e Oncologia Clínica ampliam as oportunidades de formação especializada no interior do estado e reforçam o nosso compromisso com uma educação médica de excelência”, reforça Luciano Dias, diretor técnico e coordenador da Comissão de Residência Médica (COREME) do HCN. 

Para participar, confira o edital suplementar consolidado, o cronograma completo e as demais informações no site do Instituto Verbena da UFG: www.institutoverbena.ufg.br 

Acordo Mercosul União Europeia destrava comércio após 26 anos e redesenha o agronegócio brasileiro

(F: Freepik)
Após mais de 25 anos de negociações, os países da União Europeia aprovaram provisoriamente o acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para a assinatura do tratado que cria a maior área de livre comércio do mundo. O pacto envolve um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores europeus e deve produzir impactos relevantes para o Brasil, especialmente no agronegócio, principal motor das exportações do bloco sul-americano.

Altair Heitor, contador e CFO da consultoria Palin & Martins, afirma que o acordo muda estruturalmente o posicionamento do agro brasileiro no comércio internacional. “Estamos falando de um redesenho de acesso ao mercado. A redução gradual de tarifas e a previsibilidade regulatória criam um ambiente mais competitivo para o produtor brasileiro, mas também elevam o nível de exigência”, diz. Segundo ele, o tratado não é apenas uma oportunidade comercial, mas um teste de organização e conformidade para o setor.

Dados do Ministério da Agricultura mostram que o agronegócio respondeu por cerca de 49% das exportações brasileiras em 2025, com a União Europeia figurando entre os principais destinos. Produtos como soja, carnes, açúcar, café e suco de laranja concentram boa parte desse fluxo. Com o acordo, tarifas de importação devem ser reduzidas ou eliminadas de forma escalonada, ampliando a competitividade desses itens frente a outros fornecedores globais.

Impactos diretos no agro

Na avaliação de Altair Heitor, o principal ganho imediato está no acesso ampliado e mais previsível ao mercado europeu. “O produtor passa a competir em condições mais claras. Isso tende a melhorar margens e estimular investimentos, sobretudo em cadeias já consolidadas”, afirma. Ao mesmo tempo, ele destaca que o acordo impõe padrões rigorosos. “A Europa exige rastreabilidade, compliance ambiental e organização fiscal. Quem não se estruturar corre o risco de ficar fora”, alerta.

Estimativas da Comissão Europeia indicam que o comércio bilateral entre os blocos pode crescer dezenas de bilhões de euros ao longo dos próximos anos, com efeitos positivos sobre renda, emprego e investimentos. Para o Brasil, o agronegócio aparece como o principal beneficiado no curto e médio prazos, enquanto a indústria tende a sentir os efeitos de forma mais gradual.

Reflexos tributários e oportunidades no agro brasileiro

Além do impacto comercial, o acordo tende a intensificar efeitos tributários já conhecidos do agronegócio exportador. A ampliação das exportações para a União Europeia aumenta o volume de operações imunes ou com alíquota zero de ICMS, PIS e COFINS, o que, na prática, gera acúmulo de créditos tributários ao longo da cadeia produtiva.

“Exportar mais não significa, automaticamente, melhorar o fluxo de caixa”, explica Altair Heitor. “O produtor e a agroindústria continuam pagando tributos na aquisição de insumos, energia, logística e serviços, mas não geram débitos na saída. Sem estratégia, esses créditos ficam parados e viram custo financeiro”, afirma.

Nesse cenário, ganham relevância ações como revisão da cadeia de comercialização, estruturação correta das operações de exportação, análise de aproveitamento de créditos e projetos de recuperação e monetização de créditos acumulados, especialmente de ICMS.

Por que demorou tanto

O acordo começou a ser negociado em 1999 e enfrentou sucessivos entraves políticos e econômicos. A resistência de países europeus, especialmente França e Irlanda, sempre esteve ligada ao temor de concorrência com produtos agrícolas do Mercosul, considerados mais baratos e sujeitos a regras ambientais distintas. “A demora reflete um conflito clássico entre abertura comercial e proteção de setores sensíveis”, explica Altair Heitor.

Nos últimos anos, a agenda ambiental e as pressões internas de agricultores europeus ampliaram a complexidade das negociações. A sinalização favorável de países-chave, como a Itália, foi decisiva para destravar a aprovação provisória. O acordo avança mesmo diante da oposição de parte do bloco, o que reforça seu peso geopolítico.

Como o setor deve se preparar

Para aproveitar o novo cenário, Altair Heitor defende planejamento técnico e visão estratégica. “Não basta vender mais. É preciso revisar processos, adequar documentação fiscal, investir em compliance e garantir rastreabilidade. O acordo premia quem está organizado”, afirma. Segundo ele, empresas que se anteciparem tendem a capturar ganhos mais rapidamente, enquanto outras podem enfrentar barreiras não tarifárias.

O especialista destaca ainda que o tratado fortalece o papel do Brasil no comércio global. “O agro brasileiro ganha relevância estratégica, mas isso vem acompanhado de responsabilidade. A oportunidade é histórica, mas exige profissionalização”, conclui.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Sustentabilidade é prioridade maior entre mulheres do que entre homens em 2026

Uma pesquisa da Descarbonize Soluções, empresa especializada em energia solar e sustentabilidade, revelou que as mulheres estão mais decididas a transformar seu cotidiano rumo a uma vida sustentável. Quando perguntadas se pretendem mudar algum hábito em 2026 para viver de maneira mais consciente, 52% das mulheres afirmaram já ter planos concretos, enquanto, entre os homens, esse índice cai para 43%.

Essa diferença de postura aparece também na forma como cada grupo percebe os riscos climáticos. Enquanto 61% das mulheres acreditam que, nos próximos 20 anos, o planeta enfrentará desastres naturais frequentes e graves, esse número é de 51% entre os homens. A percepção sobre escassez futura também se diferencia: 59% das mulheres esperam maior falta de água, energia e alimentos, contra 42% dos homens (uma diferença de 17 pontos percentuais).





Milena Andrade, gerente de marketing da Descarbonize Soluções, fala sobre a relação da mulher com a percepção dos riscos climáticos: “As mulheres têm ocupado lugares que, há alguns anos, eram simplesmente inimagináveis na sociedade. Mas, ainda sim, mantém o um de seus grandes papeis - o do cuidado. São elas que, prioritariamente, tomam conta da família e da gestão doméstica, enquanto buscam a independência financeira e oportunidades no mercado. Não é atoa que muitos lares hoje são administrados puramente por mulheres”.


“Essa vivência cria uma leitura mais sensível e, ao mesmo tempo, mais realista sobre o que pode acontecer nas próximas décadas, e esses fatores ampliam a percepção de risco e responsabilidade diante das mudanças climáticas”, explica ela.


Uma retrospectiva de 2025


A disposição mais concreta para 2026 pode estar associada aos obstáculos enfrentados em 2025. Entre os principais desafios para manter hábitos sustentáveis no último ano, o alto custo de produtos ou itens sustentáveis e a falta de tempo ou rotina apareceram como os dois maiores impedimentos, com o mesmo volume de respostas entre homens e mulheres.


Há, porém, um ponto que chama atenção: os homens demonstraram maior falta de informação ou conhecimento sobre o tema, mencionada por 15% deles. Entre as mulheres, o índice foi de 11%.


Essa diferença pode indicar que, enquanto as mulheres tendem a buscar mais informações e se engajar de maneira prática no tema, parte dos homens ainda enfrenta barreiras relacionadas ao acesso ou à busca ativa por conteúdos sobre sustentabilidade, o que pode influenciar a intenção de mudar hábitos no próximo ano.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Geração .Com: Liderar no Brasil com rótulos estrangeiros é erro estratégico, diz especialista

Virgílio M. Santos (F: Isaque Martins)
A  leitura das equipes brasileiras a partir de categorias como "baby boomers", "millennials" e "geração Z" não apenas simplifica a realidade do país como compromete decisões de liderança, gestão de pessoas e estratégia organizacional. A avaliação é de Virgilio Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria, gestor de carreiras e PhD pela Unicamp, que propõe uma classificação baseada nos marcos políticos e econômicos que moldaram o Brasil nas últimas décadas.

Segundo o especialista, a prática comum em empresas e no debate de recursos humanos de importar modelos geracionais dos Estados Unidos ignora diferenças estruturais profundas entre as trajetórias históricas dos dois países. "Um 'baby boomer' americano cresceu no pós-guerra, com estabilidade e expansão. O brasileiro da mesma idade viveu ditadura, censura e hiperinflação. Tentar gerir essas pessoas com a mesma lente é um erro de diagnóstico", afirma.


Santos se apoia em estudos recentes da ciência política brasileira, como os apresentados pelo pesquisador Felipe Nunes, para sustentar que, no Brasil, o que define gerações não é apenas tecnologia ou cultura de consumo, mas a experiência com crises institucionais, planos econômicos, inflação, redemocratização e polarização política. "Aqui, as pessoas foram formadas por rupturas. Isso afeta expectativas, tolerância ao risco, relação com autoridade e percepção de futuro", diz.


A partir desse contexto, o especialista propõe uma leitura alternativa do mercado de

trabalho, dividindo os profissionais em quatro grandes grupos:


Geração Bossa Nova (1945–1964): marcada pelo otimismo desenvolvimentista do período JK e pela interrupção do projeto nacional com o golpe de 1964. "No ambiente corporativo, valoriza ambição, construção de legado e visão de longo prazo, mas carrega desconfiança em relação à instabilidade institucional", avalia.


Geração Ordem e Progresso (1965–1984): formada durante a ditadura e a hiperinflação, hoje ocupa a maior parte dos cargos de liderança. "São pragmáticos, resilientes e tendem a buscar estrutura, hierarquia e previsibilidade. Para esse grupo, discurso sem sustentação econômica não engaja", afirma.


Geração Redemocratização (1985–1999): cresceu após a Constituição de 1988 e o Plano Real, em um período de estabilidade e expansão nos anos 2000. Segundo Santos, "valoriza meritocracia, participação e autonomia, mas se frustra com a lentidão das instituições e com lideranças excessivamente autoritárias."


Geração .Com (2000–2009): jovens que entraram no mercado em meio à crise pós-2014 e à polarização política. "Diferente da gen Z global, o jovem brasileiro é mais cético, menos deslumbrado com benefícios simbólicos e mais atento à saúde mental, autonomia real e coerência entre discurso e prática", diz.


Para o especialista, insistir em modelos estrangeiros empobrece o debate sobre gestão no país. "Não se trata de conflito de gerações, mas de conflito de experiências históricas. A ansiedade do jovem de hoje e a busca por segurança do profissional mais velho têm raízes em traumas econômicos e políticos diferentes", explica.


Na prática, Santos defende que liderar no Brasil exige "tropicalizar" conceitos de gestão para equipes multigeracionais e compreender os contextos que formaram cada grupo. "Isso passa por reconhecer que aquilo que funciona como motivação para um grupo pode ser indiferente — ou até contraproducente — para outro. Para alguns, estabilidade e previsibilidade são recompensa. Para outros, autonomia, participação e aprendizado contínuo. Tratar todos como se buscassem as mesmas coisas é o caminho mais rápido para o desengajamento", relata.


O especialista defende ainda a construção de ambientes que favoreçam a troca entre gerações, com metas claras, critérios objetivos de reconhecimento e espaços reais de escuta. "Respeito mútuo não é discurso: é entender de onde cada um vem, por que reage como reage e como diferentes experiências podem se complementar. Liderar no Brasil é menos sobre aplicar fórmulas prontas e mais sobre ler o país dentro da própria equipe", conclui.

Febraban reconhece controle da inflação e defende queda na Selic

(Reprodução CNN)
O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, comentou o resultado da inflação de 2025, abaixo das projeções sempre pessimistas do mercado financeiro diante do atual governo, e defendeu a queda da taxa de juros em 2026. Confira o comunicado:

"O IPCA de 2025, com alta de 4,26%, traduz, não só a inflação dentro do intervalo superior da meta, mas também revela que o melhor resultado nominal desde 2018 decorre do trabalho exitoso da autoridade monetária, que, com firmeza, enfrentou os vetores de maior pressão inflacionária, consolidando uma dinâmica de desinflação. 

Além de ter trazido de volta a inflação corrente aos limites da meta, embora o alvo mandatório seja perseguir o centro, a atual gestão do BC teve ainda avanços relevantes na reancoragem das expectativas dos agentes de mercado, que, no início de 2025, projetavam uma inflação de 4,90%, resultado que ficaria acima do teto.
 

Reconhecer o mérito do BC no processo de desinflação ainda em curso não significa celebrar uma taxa Selic de 15,0% ao ano. Por outro lado, diante de um ciclo mais agressivo de alta de juros, a que o Banco Central se viu na contingência de aplicar, é razoável dar um voto de confiança à autoridade monetária, que detém a expertise necessária para enxergar todas as variáveis e nuances do comportamento da inflação. Isso, repita-se, não implica concordância com a Selic atual, mas apenas conferir ao BC a legitimidade decisória e técnica.
 

A Febraban reafirma o que tem dito publicamente: bancos não precisam e não dependem de juros altos para alcançar rentabilidade. Mas, é certo que o Brasil precisa de um ambiente macroeconômico com inflação baixa, estável e previsível e isso só se faz com um Banco Central técnico e independente, com total autonomia para a condução da Política Monetária, como tem agido o BC brasileiro.
 

Todos concordamos que é muito sacrificante para qualquer economia operar com taxa básica de juros nos atuais níveis da Selic, mas o sacrifício seria ainda mais penoso se o Banco Central não tivesse autonomia para, como fez em 2025, quebrar a trajetória da alta disseminada dos preços. Os indicadores e as expectativas já apontam, inclusive com mais clareza, que a inflação deve continuar desacelerando em 2026, com acomodação gradual da atividade e do mercado de trabalho.
 

Além disso, o bom trabalho feito pelo BC já nos permite antever um ciclo de queda dos juros se avizinhando, que é o que todos, inclusive os bancos, precisam e desejam.
 

Apesar da cautela do Banco Central, tanto mais porque ainda estamos distantes da necessária convergência da inflação ao centro da meta, todos ansiamos pelo início do processo de flexibilização de um dos mais restritivos ciclos monetários. Nesse sentido, há expectativa para que isso ocorra, se não em janeiro, a partir de março, como prevê a maioria dos agentes econômicos.
 

Diante desse cenário oneroso para toda a atividade econômica, incluindo o ambiente de crédito, que vem penalizando os tomadores com níveis mais altos de juros e maior inadimplência, o País precisa continuar determinado e perseverante na agenda de consolidação fiscal e de reformas econômicas, para voltarmos a trabalhar com patamares menos rigorosos de juros, inclusive em uma perspectiva de médio e longo prazo para a economia."

 

Isaac Sidney

Presidente da Febraban

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Goiás implanta rede de videomonitoramento guiada por inteligência artificial

F: Divulgação
Videomonitoramento com intelegência artificial. É o que prevê contrato firmado pelo governo de Goiás para implantação de 564 câmeras, além de quatro Centros de Inteligência, Comando e Controle para a Região Metropolitana do Entorno do Distrito Federal, a Região da 44, em Goiânia, e a cidade de Goiás. 

“Esse é um sistema que oferece às autoridades do estado informações em tempo real para decisões mais rápidas e efetivas. É tecnologia de ponta trabalhando como extensão da segurança pública, com ganhos diretos para a proteção e o bem-estar da população e fortalecendo o desenvolvimento regional”, afirma Leandro Kuhn, CEO da L8, uma das empresas responsáveis pelo sistema.

O contrato foi firmado após pregão eletrônico e terá duração de 60 meses, com possibilidade de prorrogação. Além das câmeras, estão sendo fornecidas soluções tecnológicas que permitem reconhecimento facial, identificação de veículos, registro de velocidade, integração com bancos de dados públicos e conexão com outras câmeras já existentes.

“Toda a operação segue os mais elevados padrões de segurança da informação e conformidade com a legislação nacional, e nosso objetivo é garantir o respeito à privacidade e aos direitos do cidadão, que permanece no centro do projeto. O sistema foi desenvolvido para que o Estado tenha governança completa sobre os dados e sobre cada etapa da operação”, explica Kuhn.

De acordo com o grupo empresarial, o Estado de Goiás é o controlador dos dados e, como contrapartida, a L8 + Paladim asseguram a proteção das informações e a operacionalidade contínua do sistema durante toda a vigência do contrato. A empresa também será responsável por manutenção preventiva e corretiva, suporte técnico remoto e presencial e capacitação das equipes de segurança que utilizarão a tecnologia no dia a dia.

A expectativa é que a rede de videomonitoramento fortaleça o combate a crimes patrimoniais e a localização de veículos e suspeitos procurados, contribuindo para investigações mais ágeis e para a atuação estratégica das forças policiais nas regiões atendidas. “Estamos falando de tecnologia de ponta atuando em prol da segurança pública. temos certeza que será um avanço para o estado e, principalmente, para o povo goiano”, finaliza Kuhn.

Zezé di Camargo diz que SBT, comandada por seis mulheres, está "se prostituindo"

Silvio nunca deixou de receber presidentes
Em seu incompreensível desatino pelo fato de a inauguração do novo canal SBT News ter contado com as presenças das maiores autoridades do país - especialmente do presidente Lula e do vice-presidente do STF, Alexandre de Moraes, devido à impossibilidade de comparecimento do presidente Edson Gachin - o decadente sertanejo Zezé di Camargo, bolsonarista beneficiado com shows pagos com dinheiro público por pequenas e pobres prefeituras, deixou "escapar" um termo muito significativo pra essa gente.

"Amo vocês, amo o SBT, tenho o maior carinho, tudo, mas eu acho que vocês estão, desculpe, se prostituindo". O termo seria deselagante por si só, mas torna-se extremamente significativo quando se leva em conta que o SBT é administrado por seis mulheres, filhas de Silvio Santos.

A inteligência nunca foi o forte do sertanejo, demos o benefício da dúvida ao filho de Francisco. Mas o termo seria usado se os administradores da emissora fossem homens? Você que falou em "honra" de filhos a pais em seu lamentável devaneio, Zezé, use seu "enisnamento" com sabedoria e honre os seus pais: peça desculpas às filhas de Silvio.

Confira, abaixo, alguns dos shows pagos com recursos públicos ao cantor: 



sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Real Time Big Data: Daniel e Marconi empatam para o governo

A nova pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto Real Time Big Data revela um quadro em plena formação na disputa de 2026 em Goiás. A corrida ao governo segue competitiva, marcada por alternâncias conforme os cenários testados, enquanto a disputa ao Senado já aponta uma liderança consistente. Os números mostram um eleitorado atento às movimentações políticas e começam a definir os contornos das principais batalhas do próximo ano.

Disputa ao governo: cenários mostram vantagem inicial para Daniel Vilela

A sucessão estadual apresenta um retrato claro: Daniel Vilela e Marconi Perillo lideram a disputa e concentram as intenções de voto, mas a distância entre eles varia conforme os nomes que compõem cada cenário.


No primeiro teste, Daniel Vilela aparece com 30%, seguido de perto por Marconi Perillo, com 26%. Wilder Moraes registra 14% e Adriana Accorsi surge com 12%. Já no segundo cenário, a entrada de José Eliton reorganiza ligeiramente a disputa, mantendo Daniel à frente com 32% e Marconi com 29%, enquanto Wilder repete 14%.


Como a pesquisa tem margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, Daniel e Marconi estão tecnicamente empatados. Foram ouvidas mil e 200 pessoas


O terceiro cenário é o mais favorável a Daniel Vilela: ele sobe para 38%, ampliando a diferença sobre Marconi, que chega a 30%. José Eliton alcança 7% e votos brancos, nulos e indecisos somam 25%. No quarto cenário, sem a presença de Daniel, Marconi assume a liderança com 32%, seguido por Wilder Moraes com 23% e José Eliton com 8%.


Veja o levantamento completo aqui.


Senado: Gracinha Caiado lidera com folga e consolida favoritismo


Se a disputa para governador ainda apresenta oscilações, o cenário para o Senado é mais definido. Nos cenários estimulados, Gracinha Caiado surge com larga vantagem sobre os demais concorrentes.


No primeiro cenário consolidado, ela lidera com 30%, enquanto Gustavo Gayer aparece em segundo lugar com 18%. Em um campo dividido, Gustavo Mendanha e Adriana Accorsi empatam com 9%, Major Vitor Hugo registra 8% e Vanderlan Cardoso soma 6%. Alexandre Baldy aparece com 5%, seguido por Zacharias Kalil com 4%. Os demais nomes ficam entre 1% e 2%.


No segundo cenário, com menos candidatos, Gracinha amplia sua vantagem e chega a 34%. Gayer sobe para 21%, Adriana Accorsi aparece com 13% e Vanderlan Cardoso com 10%. Baldy mantém 6% e os indecisos permanecem em patamar reduzido, reforçando a consolidação da disputa.


A liderança de Gracinha se mostra consistente mesmo diante de diferentes composições, revelando que sua posição no pleito é, até aqui, a mais estável entre todas as disputas analisadas.


O tabuleiro eleitoral ganha contornos


O levantamento aponta que Goiás entra no ano eleitoral com dois movimentos simultâneos: uma disputa ao governo marcada por competitividade e possibilidades de mudança conforme os cenários, e uma corrida ao Senado onde a vantagem de Gracinha Caiado já se apresenta robusta.


Com a proximidade de 2026, o estado se prepara para uma eleição em que alianças, rejeição e reposicionamentos estratégicos devem desempenhar papel decisivo, e onde os números mais recentes já começam a definir quem larga na frente.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Conheça Genival, 1º beneficiado por lei que garante emprego a pessoas em situação de rua em Goiânia

Há um ano, a vida de Genival Santos mudou. Vivendo em situação de rua em Goiânia, ele é um dos primeiros beneficiados pela lei municipal nº 10.462, de 2020. Proposta pelo presidente da Câmara Municipal, Romário Policarpo (PRD), ele mesmo ex-morador de rua, a legislação exige que 5% das vagas de trabalho não especializadas em empresas que prestam serviço ao município sejam reservadas a esse público.

Procurado pelo serviço de assistência social municipal no ano passado, Genival prontamente aceitou a vaga de coletor de resíduos da empresa de limpeza urbana de Goiânia, o Consórcio Limpa Gyn - hoje alvo de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na própria Câmara, mas isso é outra história. Dedicado, Genival comemora agora a mais recente conquista: a vaga de operador de máquinas da empresa.

Para efetivamente entrar em vigor, a lei, pioneira no país, percorreu um longo caminho. No mês passado, a Prefeitura de Goiânia, por meio da Controladoria-Geral do Município (CGM) e da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), realizou uma reunião técnica para orientar servidores sobre a aplicação da legislação, por recomendações do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCMGO) e do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO).

O controlador-geral do Município, Juliano Bezerra, ressaltou que a lei é inovadora e tem potencial para servir de exemplo para outras cidades. “A importância dessa lei é enorme, principalmente pelo impacto social que ela representa. Nosso compromisso é garantir que ela seja aplicada e com eficiência. Temos a participação do Tribunal de Contas, do Ministério Público e de toda a equipe da prefeitura, o que mostra a seriedade e o pioneirismo de Goiânia nessa política pública”, afirmou.

Confira o depoimento de Genival:


(Vídeo: Instragram do Limpa Gyn)

A secretária de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos, Erizânia de Freitas, explicou como se dará a aplicação prática da norma. “Todas as vezes que a administração municipal firmar contrato com empresas que utilizem mão de obra não especializada, 5% das vagas deverão ser ocupadas por pessoas em situação de rua. A Semasdh, por meio do Centro Pop, fará o acompanhamento dessas contratações, oferecendo suporte completo, como transporte nos primeiros 30 dias de trabalho, encaminhamento para casas de acolhida e orientações sobre apresentação pessoal”, afirmou.

Segundo a secretária, a pasta também oferece cursos de qualificação profissional em parceria com outras instituições, ampliando as chances de inserção no mercado de trabalho para o público atendido. “O objetivo é garantir que essas pessoas tenham oportunidade real de reinserção social e profissional”, detalhou Erizânia.

A história de Genival - e outros beneficiados - desmonta a falácia de grupos extremistas, tão presentes no dia a dia brasileiro, de que essas pessoas não querem trabalhar. Basta a oportunidade chegar. Muito ao contrário de alguns políticos que preferem viver sem trabalhar, em outros países, de dinheiro público e de PIX de fanáticos seguidores.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Goiás atinge balanço “carbono positivo” no uso da terra

F: Divulgação
Um levantamento inédito aponta que, desde 2006, o setor florestal goiano remove mais dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera do que emite. Em outras palavras, o estado alcançou um balanço “carbono positivo” nas mudanças de uso da terra — resultado de uma combinação entre queda no desmatamento e aumento da recuperação da vegetação nativa. As estimativas são do Earth Innovation Institute (EII), organização internacional de pesquisa sediada em Berkeley (EUA), contratada pelo Governo de Goiás. O instituto atua em programas de conservação florestal e desenvolvimento rural de baixo carbono em países como Brasil, Colômbia e Peru.

A análise utilizou dados da empresa Chloris Geospatial Inc., especializada em sensoriamento remoto de alta resolução, a partir de medições diretas da biomassa acima do solo, obtidas por satélite e tecnologia LiDAR, capazes de gerar mapas anuais de estoques e variações de carbono desde o ano 2000 com precisão de até 10 metros. O mapa, a seguir, apresenta o balanço dos estoques de carbono acima do solo em toneladas entre 2000 e 2024.

O estudo aponta que o ganho de biomassa florestal em Goiás vem crescendo de forma consistente nas últimas duas décadas, impulsionado pela recuperação de vegetação secundária — áreas que se regeneram naturalmente ou por meio de plantio após a remoção da cobertura original. A análise indica que, até 2024, o estado apresenta um balanço líquido de 513 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.

“Goiás apresenta resultados expressivos de ganho de biomassa florestal, reflexo da recuperação da vegetação nativa”, afirma Daniel Nepstad, diretor executivo do EII e coordenador do estudo. “Com a queda do desmatamento, é importante monitorar as emissões por incêndios florestais, que ainda representam uma ameaça crescente”, alerta.

Cerrado em destaque na agenda climática

Enquanto o foco das políticas federais de redução de emissões tem sido a Amazônia — com instrumentos como o Fundo Amazônia e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre —, Goiás vem mostrando que o Cerrado também tem papel de protagonista na agenda climática. Em 2024, o estado registrou a menor taxa de desmatamento de sua série histórica, consolidando-se como líder entre as unidades federativas do bioma em controle e monitoramento ambiental.

Autoridades e especialistas atribuem esse desempenho à modernização das políticas públicas e à adoção de práticas mais sustentáveis pelo setor agropecuário. O governo estadual tem aprimorado o licenciamento ambiental, reforçado a fiscalização e implementado programas de pagamento por serviços ambientais (PSA). Do lado do campo, produtores rurais têm aumentado a produtividade sem expandir a fronteira agrícola — reduzindo a pressão sobre áreas nativas.