terça-feira, 17 de março de 2026

"Nossos produtos respeitam o bem-estar animal". Será?

Arte: Divulgação
Nos últimos anos, o bem-estar animal passou a ocupar espaço relevante na comunicação institucional de empresas do setor alimentício. Entre as estratégias de marketing mais comuns estão o uso de imagens de animais em ambientes aparentemente felizes nas embalagens, expressões como “galinhas felizes”, “compromisso com o bem-estar animal”, além da divulgação, em sites institucionais, de compromissos corporativos de transição para sistemas de produção considerados menos impactantes para os animais. Essas mensagens dialogam com a crescente preocupação dos consumidores com questões éticas na produção de alimentos.

Organizações da sociedade civil alertam, porém, para o uso crescente de alegações de bem-estar animal em campanhas publicitárias sem transparência verificável sobre as práticas adotadas pelas empresas.

Para o movimento Stop Humane Washing (SHW), que monitora compromissos públicos de bem-estar animal assumidos por empresas, a ausência de dados verificáveis sobre essas alegações tem se tornado uma preocupação crescente.


“O consumidor tem direito de saber se aquilo que aparece na publicidade corresponde de fato às práticas adotadas pelas empresas. Quando compromissos são anunciados publicamente, é fundamental que haja transparência sobre prazos, metas e evolução da implementação”, afirma Lucas Galdioli, que realiza a gerência da iniciativa.


Segundo Yuri Lima, mestre em Direito Animal, o comportamento do consumidor exerce papel central nesse processo: “O consumidor sempre dita as regras do mercado. À medida que cresce a preocupação com questões éticas, aumenta também a exigência para que as empresas sejam mais transparentes sobre toda a sua cadeia produtiva e sobre a rotulagem de seus produtos”, afirma em sua dissertação.


Para Karynn Capilé, pós-doutora em Bem-Estar Animal pela Universidade Federal do Paraná, a associação entre marketing e bem-estar animal também pode ter motivações estratégicas: “Passar a mensagem de que os animais são felizes é um bom negócio para o marketing. Essa narrativa ajuda a proteger as empresas de críticas, atrai consumidores dispostos a pagar mais por produtos considerados éticos e tranquiliza aqueles que querem agir de forma mais favorável aos animais e ao meio ambiente, mas sem mudar radicalmente seus hábitos de consumo”, explica em sua tese.


Mais informações e análises sobre bem-estar animal, transparência corporativa e alegações de bem-estar animal na comunicação de empresas podem ser consultadas em portavozanimal.org. Atualizações da iniciativa também estão disponíveis no Instagram @stophumanewashing e na newsletter da Stop Humane Washing: https://stophumanewashing.ipzmarketing.com/f/4kk6e-fbbX8.

O que fazer se alguém te oferecer um animal silvestre?

Comércio de animais silvestres é crime (F: Divulgação)
Durante o verão, o aumento do turismo e dos deslocamentos amplia o número de pessoas que entram em contato com vendedores informais de animais silvestres. Essas ofertas ocorrem em estradas, feiras, redes sociais e grupos de mensagens. Pela legislação brasileira, a captura, o transporte e a venda de fauna silvestre sem autorização configuram crime ambiental, com penas que incluem multa e detenção.

Para o cidadão, a principal ferramenta de enfrentamento é a denúncia. O Ibama mantém a Linha Verde e sistemas eletrônicos que permitem informar localização, tipo de animal e forma de oferta de maneira anônima. As Polícias Ambientais estaduais também recebem comunicações sem exigir identificação do denunciante. Essas informações alimentam ações de fiscalização e investigações sobre redes de tráfico.

O Instituto Líbio, que atua no acolhimento e reintrodução de animais resgatados, difunde essas orientações por meio da Campanha “Agora Você Sabe”, integrando informação legal, ambiental e de saúde pública.

“Muitas pessoas deixam de denunciar por medo de exposição, quando na prática os canais são estruturados para preservar quem informa”, afirma Raquel Machado, CEO do Instituto Líbio. “Divulgar esse passo a passo reduz a circulação de animais no mercado ilegal.”

Conheça a campanha no link:

https://www.instagram.com/reel/DRk25ZyDy_h/?igsh=OHgya2h2ODBveXFt.

Clássico é clássico: saiba quais são os dez carros dos anos 2000 preferidos dos goianos

Vectra Next Edition 2009, clássico (Foto: Divulgação)
Carro não é só um meio de transporte, é uma experiência. Particularmente, sempre fui alheio às modinhas e minhas preferências automotivas nem sempre agradam aos "entendidos" do mercado automobilístico. Hoje mesmo, circulo por aí com um Suzuki Grand Vitara 2012. Mas não estou sozinho. O comprador de meu Fusca 1970 - sim, vendi recentemente - chegou pra fechar negócio em um Passat Variant anos 2000.

Pois bem, um levantamento do Webmotors Autoinsights, ferramenta que fornece dados e informações sobre o mercado automotivo brasileiro, revelou os veículos dos anos 2000 que recebem o maior número de buscas em Goiás atualmente. O estudo leva em consideração as buscas e visitas entre março de 2025 a fevereiro deste ano para os modelos fabricados entre 2000 e 2009 no estado.

O ranking é encabeçado pelo Honda Civic, um clássico da montadora japonesa que ainda hoje é um dos mais buscados do país tanto entre os 0KM quanto em versões anteriores. Na sequência, estão Volkswagen Gol, Chevrolet Astra, Toyota Corolla, Ford F-250, Chevrolet Vectra, Volkswagen Golf, Fiat Palio, Chevrolet Celta e Chevrolet Corsa.

Confira abaixo o ranking dos modelos dos anos 2000 mais procurados em Goiás entre março de 2025 e fevereiro de 2026.

1. Honda Civic

2. Volkswagen Gol

3. Chevrolet Astra

4. Toyota Corolla

5. Ford F-250

6. Chevrolet Vectra

7. Volkswagen Golf

8. Fiat Palio

9. Chevrolet Celta

10. Chevrolet Corsa

E você, qual deles levaria pra casa?


segunda-feira, 16 de março de 2026

Mais de 3,5 mil candidatos por vaga: veja o cargo mais concorrido do concurso da Câmara de Goiânia

Câmara de Goiânia: mais de 34 mil concurseiros (F: CMG)
Realizado neste domingo (15) pelo Instituto Verbena, da Universidade Federal de Goiás (UFG), o concurso para provimento de 62 cargos na Câmara Municipal de Goiânia teve a participação de 34.465 candidatos. Para as funções de nível médio, com as provas aplicadas pela manhã, compareceram 23.594 concorrentes, com abstenção de 27% (8.710 faltosos). Já nas provas para cargos de nível superior, realizadas à tarde, foram 10.871 presentes e 3.702 ausentes (abstenção de 25%). Segundo o Instituto, o concurso transcorreu sem intercorrências e as abstenções são compatíveis com as de outros certames.

Para o presidente da Câmara, vereador Romário Policarpo (sem partido), o concurso reforça a preocupação com a eficiência das atividades desempenhadas pela Casa. “O concurso público para a Câmara Municipal de Goiânia, aplicado pelo Instituto Verbena da Universidade Federal de Goiás, é uma medida administrativa de fortalecimento e valorização do quadro de servidores efetivos do Poder Legislativo da capital”, disse. “É a expressão do nosso compromisso com a transparência, o quadro permanente da Casa e a eficiência dos serviços prestados à população goianiense”, concluiu Policarpo.

O cargo mais concorrido foi o de analista técnico legislativo, com 7.109 candidatos para duas vagas, com 3.554,5 interessados para cada uma. Entre as funções de nível médio, o cargo de agente administrativo apresentou o maior número de concorrentes, com 2.410 pessoas disputando cada uma das nove vagas. Por outro lado, a menor disputa entre as atividades de nível superior foi para médico do trabalho, com 63 candidatos para vagas. Entre as de nível médio, a menor disputa ficou para o cargo de cinegrafista: 130 candidatos para quatro vagas (confira todos as vagas oferecidas na imagem ao lado). Além das 62 vagas oferecidas, o concurso prevê outras 315 para cadastro reserva. 

O gabarito preliminar da prova objetiva deve ser publicados pelo Instituto Verbena ainda nesta segunda-feira, de acordo com o edital. O definitivo está previsto para o próximo dia 25. A publicação do resultado final da prova objetiva, bem como da lista dos candidatos convocados para a realização da prova prática para as funções que exigem esta etapa, está prevista para o dia 2 de abril.  

Entre 15 e 17 de maio será realizada a avaliação biopsicossocial presencial para pessoas com deficiência e para as que solicitaram tempo adicional para a realização das provas, além dos procedimentos de confirmação complementar à autodeclaração de candidatos negros. O resultado final do concurso, que tem validade de dois anos, será conhecido no dia 29 do mesmo mês.

As etapas seguintes podem ser acompanhadas diretamente no site do Instituto Verbena.

TJGO manda sócias comprovarem integralização do capital social após empresa não pagar dívida reconhecida pela Justiça

(F: Freepik)
O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) determinou que as sócias de uma empresa sejam intimadas a comprovar se o capital social declarado no contrato da empresa foi realmente integralizado. A decisão foi tomada após diversas tentativas frustradas de localizar bens da empresa para pagar uma dívida já reconhecida pela Justiça. O entendimento reforça que os sócios podem responder pela parte do capital que não foi efetivamente aportada.

A decisão recente do TJGO trouxe um esclarecimento relevante sobre a responsabilidade dos sócios em sociedades empresariais durante a fase de execução de uma dívida. O caso teve origem em uma ação de cobrança movida por um laboratório contra empresas da área de medicina e segurança do trabalho, após a prestação de serviços laboratoriais que não foram pagos. A Justiça reconheceu a existência da dívida e condenou a empresa ao pagamento do valor devido.

Após o trânsito em julgado da sentença, iniciou-se o cumprimento da decisão judicial. No entanto, as tentativas de localizar bens da empresa para garantir o pagamento da dívida tiveram resultado praticamente nulo, com apenas bloqueios de valores considerados irrisórios em relação ao total do débito. Diante da dificuldade de satisfação do crédito, a parte credora pediu que as sócias da empresa fossem intimadas para comprovar se o capital social declarado no contrato social havia sido efetivamente integralizado. O pedido, inicialmente, foi negado pelo juízo de primeira instância.

A decisão foi questionada por meio de agravo de instrumento levado ao tribunal. Ao analisar o recurso, o relator destacou que a responsabilidade dos sócios pela integralização do capital social é diferente da chamada desconsideração da personalidade jurídica.

Segundo o entendimento do TJGO, a desconsideração da personalidade jurídica é uma medida excepcional e depende da comprovação de abuso da empresa, como confusão patrimonial ou desvio de finalidade. Já a integralização do capital social é uma obrigação legal direta dos sócios, prevista no Código Civil.

Na prática, isso significa que, enquanto o capital social declarado não for efetivamente integralizado, os sócios podem responder solidariamente perante terceiros até o limite do valor que ainda não foi aportado. 

Com base nesse entendimento, o Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso e determinou que as sócias apresentem documentos que comprovem a integralização do capital social das empresas envolvidas no prazo de 15 dias.

Caso não seja comprovado o aporte do capital, os sócios podem ser responsabilizados até o limite do valor que deveria ter sido integralizado, permitindo que o processo de execução avance na tentativa de satisfazer a dívida.

Para o advogado responsável pelo caso, especialista em Direito Civil e Processo Civil, Matheus Basilio, a decisão reforça um princípio importante do direito empresarial. “A decisão reafirma que a integralização do capital social não é uma formalidade. Quando uma empresa declara determinado capital, esse valor representa uma garantia mínima para credores. Se esse capital não foi efetivamente integralizado, a legislação permite que os sócios respondam por essa obrigação”, explica o advogado.

Segundo ele, o entendimento também fortalece a efetividade das execuções judiciais. “Quando não são encontrados bens da empresa, a lei permite que se apure se o capital social realmente foi aportado. Essa verificação é essencial para evitar que credores fiquem sem receber valores já reconhecidos judicialmente.”

domingo, 15 de março de 2026

O Agente Secreto: sem Oscar, mas com moda brasileira no tapete vermelho

Alice Carvalho no Oscar (Reprodução Redes Sociais)
O Agente Secreto não levou o Oscar. Particularmente, a despeito da maravilha que é o filme, era de se esperar. Difícil um país fora do eixo das grandes produções cinematográficas levar a premiação - seja em qual categoria fosse - em duas edições seguidas. Mas a moda brasileira teve seu momento de destaque na cerimônia. A atriz Alice Carvalho, integrante do elenco do filme, indicado a quatro estatuetas, compareceu à cerimônia com um vestido criado pela marca amazônica Normando, confeccionado a partir de fibras naturais de malva e juta produzidas pela Companhia Têxtil de Castanhal, maior produtora dessas matérias-primas nas Américas. A peça leva para um dos eventos mais prestigiados do cinema mundial não apenas a estética contemporânea da moda brasileira, mas também uma história de sustentabilidade e valorização da bioeconomia.

Com estrutura inspirada em um blazer — ombros marcados e bolsos, códigos característicos da estética da Normando — o vestido tem construção de alfaiataria e acabamento todo alinhavado à mão. A parte inferior se abre em uma silhueta fluida, próxima ao formato sereia. Para garantir conforto e usabilidade, os estilistas aplicaram um forro de algodão por termocolagem, reforçando o compromisso da marca com peças que unem design e funcionalidade. “Trabalhamos com as fibras da Castanhal no nosso dia a dia. Já apresentamos peças feitas com elas na São Paulo Fashion Week e no Baile da Vogue. O vestido mistura malva e juta e foi pensado para ser confortável, com atenção à ergonomia e ao toque na pele”, explica Emídio Contente, diretor criativo da Normando.

Nativa da Amazônia, a malva é uma fibra natural, leve e resistente, assim como a juta, que foi levada à região por imigrantes japoneses, na década de 1930. Comumente usadas em sacarias (como as que levam a marca Cafés do Brasil) e embalagens sustentáveis, ambas ganham protagonismo na moda feita pela Normando. “Em um mundo em que quase todos os modelos já foram criados, a matéria-prima é o que existe de mais inovador. E não há nada mais tecnológico do que a floresta, com a tecnologia da natureza, da semente e da mão humana”, afirma Marco Normando, diretor criativo da marca. Segundo ele, levar um vestido feito com fibras amazônicas ao tapete vermelho do Oscar é uma forma de reposicionar o olhar internacional sobre a região. “Queremos mostrar uma Amazônia contemporânea, de tecnologia, cultura e diversidade, longe de estereótipos.”

“Estar na origem de um vestido no Oscar coloca não só as fibras brasileiras, mas toda a sua cadeia produtiva, em um outro patamar. É um momento importante de valorização dos pequenos produtores de malva da Amazônia”, afirma Flávio Smith, diretor-executivo da Castanhal.

A presença da empresa nessa criação reforça a importância da cadeia produtiva sustentável das fibras amazônicas. Há 60 anos, a companhia transforma juta e malva cultivadas em áreas de várzea em fios, telas e tecidos utilizados por diferentes setores da indústria. O cultivo, diz a marca, segue o ciclo natural das chuvas e dos rios amazônicos, sem irrigação artificial, adubação química ou desmatamento. Toda essa cadeia da fibra remove mais gás carbônico (CO²) da atmosfera do que emite, o que caracteriza uma operação carbono negativo.

O modelo produtivo também tem forte impacto social. A empresa mantém parceria com comunidades ribeirinhas, oferecendo assistência técnica, fornecimento de sementes e compra garantida da produção com preço previamente acordado, o que gera renda mais estável para centenas de famílias. Toda a cadeia é rastreável, do plantio até a transformação da fibra, e auditada por organismos certificadores independentes, assegurando critérios de manejo ambiental e condições éticas de trabalho.

Além da dimensão ambiental e social, as fibras amazônicas oferecem características valorizadas pela moda contemporânea: são biodegradáveis, resistentes e possuem estética natural versátil. Para Emídio Contente, essa conexão entre tradição e inovação também é pessoal. “A malva sempre esteve presente no cotidiano do interior do Pará. As crianças brincam com ela, fazem cabelo de boneca. Minha avó fazia bolsas de juta para vender. Trabalhar com essas fibras é também uma forma de honrar essa memória.”

Ao vestir Alice Carvalho no Oscar, a Normando e a Castanhal transformam o tapete vermelho em uma vitrine para a moda brasileira e para o potencial criativo da Amazônia, onde design e sustentabilidade caminham lado a lado. “Levar esse vestido ao Oscar é colocar o Brasil, junto com nosso cinema, onde ele merece estar, com a Amazônia em evidência”, celebram os designers.

sábado, 14 de março de 2026

Livro oficial do Iron Maiden volta ao Brasil após meses esgotado

Grupo em junho de 1982 (F: Divulgação)
Considerado a celebração definitiva da trajetória de uma das bandas mais icônicas do heavy metal, o livro Iron Maiden: Infinite Dreams – A História Visual Oficial está de volta após meses esgotado. A obra, que celebra os 50 anos do Iron Maiden reúne contribuições exclusivas dos integrantes e da equipe de gerenciamento, além de fotografias e materiais raros selecionados ao longo de cinco décadas. Mais do que uma coletânea visual, trata-se de uma homenagem grandiosa ao grupo britânico.

Organizado cronologicamente, o volume acompanha a jornada da banda desde os primeiros shows em pubs, em 1975, e o contrato com a primeira gravadora em 1979, passando por álbuns marcantes como Iron Maiden (1980), The Number of the Beast (1982) — que os lançou ao estrelato global — e Seventh Son of a Seventh Son (1988), até chegar ao aclamado Senjutsu (2021) e sua 25ª turnê global.

A publicação também revisita a evolução do icônico mascote Eddie, com comentários exclusivos de seu criador Derek Riggs, além de destacar produções de palco monumentais e turnês históricas. Entre elas, a Somewhere Back in Time World Tour (2008), quando Bruce Dickinson pilotou pessoalmente o lendário Ed Force One.

O livro está disponível no site da Belas Letras e em sites parceiros, como Travessa, Livrarias Curitiba, Martins Fontes, Livraria da Vila, Amazon entre outros. A obra chega às livrarias a partir do dia 23 de março de 2026.

Tremor de terra é registrado em Catalão

Um tremor de terra de magnitude 2.4 foi registrado próximo ao município de Catalão, na tarde de quinta-feira (12), às 12h36. O abalo sísmico foi registrado pelas estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e analisado pelo Centro de Sismologia da USP. A RSBR é coordenada pelo Observatório Nacional (ON/MCTI) com apoio do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM).

O último tremor de terra registrado em Goiás ocorreu no dia 26 de janeiro, em Montividiu do Norte, com magnitude 3.0. Até agora, em 2026, o estado de Goiás já registrou 4 eventos sísmicos:

  • (12/3) Catalão - Magnitude 2.4
  • (26/1) Montividiu do Norte - Magnitude 3.0
  • (21/1) Montividiu do Norte  Magnitude 2.1
  • (18/1) Minaçu - Magnitude 3.0

Tremores de terra de baixas magnitudes são relativamente comuns no Brasil e ocorrem quase todas as semanas, mas a maior parte deles não é sentida pela população. Os sismos naturais, na sua grande maioria, se devem às grandes pressões geológicas que atuam na crosta terrestre.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Caoa Changan inicia abertura de sua Rede de Concessionárias

Caoa Changan prepara 50 concessionárias (F: Divulgação)
Com foco em SUVs, elétricos e modelos de alto desempenho, a chinesa Changan, nova aposta do grupo Caoa no Brasil, prepara o lançamento de 50 concessionárias para o país em 2026. A empresa promete distribuir as lojas pelas principais cidades brasileiras, em todas as regiões, garantindo "capilaridade" para a marca.

Além dos showrooms de vendas, a rede promete mais de 40 oficinas estruturadas para serviços e manutenção, integradas ao sistema logístico da Caoa. A operação, garante, terá 100% dos vendedores e mecânicos treinados diretamente pela montadora e contará com estoque "superior a 1 milhão de peças e capacidade logística para atender 99% da demanda de serviços das oficinas em poucos dias, garantindo agilidade e confiabilidade no pós-venda, um dos pilares históricos da operação da companhia no país".

Sem, ainda, adiantar datas, a Caoa Changan diz que a nova rede "será protagonista na apresentação ao público brasileiro do primeiro veículo da marca produzido localmente, um modelo que promete combinar design inovador, tecnologia embarcada e posicionamento competitivo em um dos segmentos mais relevantes do mercado".

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O que fomos

Era final de 2006 ou começo de 2007. Eu tinha passado por uma experiência profissional traumática com a falência da Avestruz Máster (Rádio Novelo contou) e não sabia bem pra onde ir. 

Eu parei o velho Ford Ka em uma rua de Campinas (bairro tradicional de Goiânia) e, com um cartão telefônico recém adquirido, liguei para o Ricardo - casado com minha amiga de turma da UEL e me ofereci pra uma vaga de repórter que ele tinha no projeto de implantação da TV Assembleia do Paraná. 

Ele: "Paulo, estamos começando, o salário não é bom". 

Era o dobro do piso de jornalista em Goiás, que eu ainda recebia com dez anos de profissão - colegas ainda recebem isso hoje por aqui. 

Fui tentar a vaga, deixei tudo aqui em Goiânia. Tudo mesmo. Até um lugar a que não poderia mais voltar. Tudo cabia no porta-malas do meu Ford Ka, como já contei. Menos meus sonhos e minha então companheira.

Fui morar em um flat gelado, asséptico como Curitiba. Muito gelado. E, algumas horas depois, um susto: "você veio já de mudança?", me questionou meu futuro patrão.

Foi assustador. Deu tudo certo. Ela, minha então companheira, foi pra Curitiba antes do combinado, moramos no flat gelado e, logo depois, tivemos nosso lindo chalé curitibano - amigo Dalti ajudou nisso, imagino que se lembre.

Curitiba me deu experiência, um filho, amor ao frio e amigos pra vida inteira. A adoração à araucária, a mais bela de todas as árvores. 

Me mostrou o valor da amizade. Pois a Fer, recém chegada de Nova York pra compor aquela equipe que hoje destila seu talento pelo mundo, um dia, poucos depois de me conhecer, naquela bela rua São Francisco, de paralelepípedos, em frente à GW, diante de minhas lamentações, me ofereceu dinheiro emprestado pra eu terminar o mês. Ela mal me conhecia. 

Viramos amigos, sócios (sim, Dona Doida foi uma homenagem a ela), brigamos e nos amamos até sua injusta partida. 

Todos partimos, de uma forma ou de outra. E hoje isso é história e boa lembrança. 

Hoje, seguimos levando adiante o que nos derrubou e nos fez levantar. As lembranças de última hora, os momentos de tanto, tanto tempo atrás. 

Hoje, levamos o que fomos.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Carnaval

É início de noite e um improvável vento frio de verão me pega de surpresa. Desço a rua apressado para casa, um pouco pelo frio, um pouco por medo, um pouco por nada. É sempre assim nos dias em que não há o que fazer: desespero. É o tempo vindo, chegando,passando. Acreditar em qualquer coisa não é mais tão fácil como há dez anos.

Chego em casa, lá fora pessoas brincam, ouço ruídos de alegria temporã. O que eles comemoram? Protejo-me do frio, mas não das horas que passam. Medo. Não há nada a fazer, nada. É a "ressaca do tempo", como disse o cronista.

Escolho uma roupa de inverno e saio para a noite improvável. É impossível ficar aqui, não há nada a fazer. É uma multidão, é música que dói na cabeça, mas ninguém parece ligar.

O universo paralelo, ah!, o universo paralelo, sim, começo a entender, mas tudo continua estranho…

Estou na avenida que leva a lugar algum e encontrei o caminho. Observam-me, sabem que estou perdido, indo para lugar algum. E riem e cantam e gritam. Eles me odeiam, sei que me odeiam, riem de mim. Mas estou na rua certa, na minha cidade, qual é mesmo a cidade?

O frio da madrugada agora... frio de verão, como pode o frio de verão ser tão cortante? Minha roupa me protege do vento gelado e da garoa fina. Entro no bar escuro, aquele de sempre, na rua de lugar algum. E ela está lá e ela nunca sente frio. E ela me olha, mas não ri. Não diz nada e, no entanto, entendo tudo. Ela me explica que está frio lá fora, que sempre faz frio na madrugada impossível e que no bar escuro é difícil respirar.

Eu beijo a garota no bar de sempre, aquele na rua de lugar algum, e ela não diz nada, ela me olha de olhos vermelhos e ela chora. Há fumaça de cigarro, há cheiro de bebida e há os olhos vermelhos e molhados dela no bar. Lá fora as pessoas ainda riem e cantam e gritam.

Eu não posso mais e eu a deixo e ela não diz nada, ela chora, ela tem os olhos vermelhos e molhados no bar escuro de sempre. Estou na rua que leva a lugar algum, mas volto para casa. A garota inexistente me ensinou que o tempo para na noite de carnaval.

(*) Publicado originalmente em 2004, talvez.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Após ser desmentido pela Anvisa, bolsonarista Marcelo Bella deixa empresas de suplementos alimentares

(F: Divulgação)
Em comunicado enviado à imprensa, o empresário Marcelo Bella, dono da famosa marca de suplementos alimentares Black Skull, anunciou a venda de suas cotas e ações nas sociedades GDS–Grow Dietary Supplements USA Labs LLC, nos Estados Unidos, e GDS–Grow Dietary Supplements do Brasil S/A, "decisão tomada em comum acordo com seus sócios". O material também afirma que ele, agora, comandará a Abenutri (Associação Brasileira das Empresas de Produtos Nutricionais), criada em 2000, de forma independente, "atendendo a uma antiga demanda do setor por uma liderança desvinculada de marcas específicas". O texto ressalta, ainda, o protagonismo "emblemático" do empresário no setor. “Depois de 43 anos dedicados a este mercado, encerro um ciclo importante da minha vida para começar outro, com a mesma paixão, mas em um novo formato”, afirma o executivo no comunicado.

Pois bem, vamos aos fatos:

Marcelo Bella começou a ficar conhecido fora do mundo do fisiculturismo em 2021, durante o governo do agora presidiário Jair Bolsonaro (PL), ao organizar o evento Acelera para Cristo, em São Paulo, onde alegou ter atingido o recorde de 1.324.523 motocicletas, um recorde que teria sido reconhecido pelo Guinness Book. Como é muito comum entre bolsonaristas, a publicação desmentiu o título e deixou claro que não há categoria no Guinness para eventos políticos. Por sua vez, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) calculou a presença de apenas 12 mil motocicletas no ato, menos de 1% do anunciado. Além do próprio Bolsonaro, também estiveram presentes na motociata a também presidiária e deputada federal cassada Carla Zambelli (PL), o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (Novo) e o astronauta Marcos Pontes (PL), que desfilou na garupa de Bella. Tudo isso, relembre-se, em plena pandemia de covid-19, doença minimizada pelo bolsonarismo, que matou ao menos 700 mil brasileiros.

Liderança de sucesso

"A carreira de Marcelo Bella teve início em 1982 e acompanha, de forma direta, o desenvolvimento do mercado brasileiro de suplementos alimentares. Ao longo de mais de quatro décadas, atuou como atleta, treinador, executivo, empreendedor e articulador institucional, acumulando projetos pioneiros que ajudaram a moldar o setor no país", diz o comunicado enviado pela assessoria do empresário. 

"Entre os marcos de sua trajetória estão o apoio ao piloto Ayrton Senna em 1987; (...) a organização de eventos com grandes nomes do fisiculturismo mundial, como Ronnie Coleman, e a articulação que viabilizou a chegada do Arnold Classic ao Brasil, consolidando o país no calendário global do esporte e da indústria fitness", continua o texto.

"A partir de agora, Marcelo Bella passa a atuar de forma independente no mercado, com foco em projetos pessoais, científicos, sociais e institucionais, além da defesa de pilares como ética, saúde, segurança e eficiência na indústria de suplementos e matérias-primas", diz, ainda, o comunicado.

Mas, engana-se quem acredita no altruísmo empresarial de Bella. Não vou contar tudo aqui porque a revista piauí detalhou tudo em uma bela reportagem - perdoem o necessário trocadilho - publicada em 24 de julho do ano passado.

Mas resumo:

Em setembro de 2024, o advogado Erick Marques, representante da Abenutri (que, vejam só, é completamente dominada por parentes e funcionários de Bella - agora, ex-funcionários), detalha a revista, contatou e afirmou à Secretaria Nacional do Consumidor, órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que a entidade tinha elaborado laudos que indicavam irregularidades em 48 marcas de whey pretein concorrentes da Black Skull. Afirmou ainda, revela a piauí, que os laudos tinham aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Não preciso dizer aqui o terremoto que foi no mercado, com as marcas concorrentes tendo sua venda proibida e taxadas de irregulares. Mas a reviravolta veio logo. O tal laudo da Abenutri havia sido produzido sem qualquer conhecimento da Anvisa e realizado nos laboratórios da UniEvangélica (ah, não diga), grupo educacional sediado em Anápolis e que ganhou status de universidade em 2021, no governo de quem?

Outros dois "detalhes": não houve contraprova ou possibilidade de defesa das marcas citadas. E um dos pesquisadores da UniEvangélica, Rodolfo de Paula Vieira, revela a reportagem, é integrante da Abenutri. Ora, ora, ora... quem diria, não?

"Seguiremos trabalhando pelo fortalecimento, credibilidade e sustentabilidade do mercado”, afirma Marcelo Bella. "De um menino aprendiz a um profissional realizado, sigo acreditando que sonhar, aprender e evoluir nunca saem de moda. Termino um ciclo para começar outro”, conclui o empresário. 

Quem sabe, não? Sempre é tempo de evoluir. E, talvez, esquecer mais alguns fatos revelados pela piauí, com os quais concluo: em junho de 2025, o juiz Wellington Urbano Marinho, do Juizado Especial Cível e Criminal de Caçapava (SP), condenou Bella a um mês e dez dias de detenção, em regime aberto, por ameaçar "cortar a cabeça" do concorrente Laert Giovanelli Santos, da Mrs Taste. Na Justiça do Trabalho de São Paulo, ainda segundo a publicação, um dos processos a que Bella responde diz que ele espalhou na empresa que um funcionário era soropositivo. Já a NSF, entidade internacional de certificação de produtos, acusou a Black Skull de utilizar indevidamente seu selo de qualidade em seus produtos.

Enfim, o roteiro de cidadão de bem, da tradicional família brasileira cristã, não surpreende mais ninguém. Mas sempre é tempo de se mudar a trajetória.

Volta às aulas: curso apoia professores na promoção do letramento matemático na Educação Infantil

(Imagem: Freepik)
Professores e gestores escolares de todo o país têm uma nova oportunidade de formação. O curso gratuito “Letramento Matemático na Educação Infantil” apresenta alternativas para profissionais da educação infantil trabalharem a matemática de forma intencional.

O lançamento é composto por quatro módulos, com conteúdos que apresentam como a matemática se manifesta na educação infantil, como está contemplada na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), como as crianças aprendem e reflexões sobre o que é esperado da professora. O curso, que pode ser realizado gratuitamente por qualquer interessado, ainda traz orientações sobre como os professores podem planejar e desenvolver atividades lúdicas envolvendo o pensamento matemático das crianças.

“Compreendemos que o conhecimento matemático é cumulativo. Assim, estudantes que não superam as primeiras barreiras do ensino do componente tendem a enfrentar dificuldades nos estágios seguintes”, reflete Claudia Nascimento, coordenadora de Soluções Educacionais do Itaú Social.

“As crianças já brincam com conceitos matemáticos no cotidiano, seja ao dividir um brinquedo com um colega, seja ao montar um castelo de blocos. Com o curso, nossa intenção é apoiar professores no desenvolvimento de estratégias que se utilizam do brincar para promover o letramento matemático, mostrando que a aprendizagem pode ser significativa para todas as crianças”, conclui.

Por ser autoformativo, o cursista tem a possibilidade de estudar o conteúdo no horário de sua preferência. O curso tem duração de 30 horas e oferece certificado aos participantes que concluírem todas as etapas.

A formação está disponível na Escola Fundação Itaú. Todos os conteúdos disponíveis são gratuitos e certificados, com opções autoformativas ou síncronas, com aulas realizadas ao vivo.

Desafios da matemática

A disciplina é considerada um dos principais obstáculos da educação para estudantes brasileiros, com sete em cada dez adolescentes (73%) não atingindo o nível básico de proficiência. O dado faz parte do último Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), exame aplicado em estudantes que cursam o 9º ano do Ensino Fundamental ou o 1º ano do Ensino Médio.

No entanto, o cenário começa a se desenhar ainda mais cedo. Resultados do TIMSS (Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências) indicam que apenas 49% dos estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental alcançam o nível básico de aprendizagem em matemática.

Edital Letramento Matemático

O Itaú Social, em parceria com a Secretaria de Educação Básica do MEC (Ministério da Educação), selecionou 21 projetos por meio do “Edital Letramento Matemático na Pré-Escola”. A iniciativa foi dividida em duas categorias, com propostas que receberam até R$ 80 mil para apoiar a implementação das ações lúdicas destinadas às crianças na pré-escola.