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Arlindo Magrão (de touca), com o presidente da Abrabar (dir) e empresários
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A Caixa
Econômica Federal aceitou renegociar o acordo para a liberação de
uma linha de crédito, após o empresário Arlindo Ventura, o Magrão
de O Torto Bar, permanecer mais de 50 horas acorrentado em frente à
uma agência na Avenida Cândido de Abreu, no Centro Cívico de
Curitiba. Ele foi chamado para conversar na manhã desta quarta-feira
(15), depois de dormir duas noites seguidas e em jejum no
local.
Segundo o empresário, o banco corrigiu um erro
técnico, bem como ele solucionou um impasse na documentação,
permitindo a retomada do processo. Diante da solução, o dono do
bar, no bairro São Francisco, afirma ter ganhado um fôlego para
mais três meses com a liberação dos recursos.
"Foi
um processo burocrático que levou a tudo isso, mas conseguimos abrir
uma condição melhor na pessoa física para cobrir a situação
jurídica de cheque especial", ressaltou Arlindo Magrão. Agora,
de acordo com ele, com o GiroCaixa em análise, a possibilidade é um
pouco maior.
"Então é preciso falar com
gerente, dialogar e ver o que você tem direito. Fiquei aqui por mais
de dois dias para ter uma atenção interna", ressaltou o
empresário logo após sair da reunião. "É preciso que as
pessoas insistam e mostrem que não aceitamos determinadas
condições", pontuou.
Lutar por
direitos
Magrão também chamou atenção de
trabalhadores e empresários para seus direitos. "Parece que a
liberação de crédito é um favor que as instituições financeiras
estão nos fazendo. Não é. Nesse momento, precisamos de todo o
apoio possível para manter os empregos dos trabalhadores",
disse ele, em referência a pandemia do novo Coronavírus.
"Estamos
no limite e ainda sendo tratados dessa forma”, desabafou Arlindo
Magrão. Esta não foi a primeira vez que isto aconteceu. Em 2012, o
empresário ficou preso em um corrimão da escada da agência do
Banco no Brasil na Praça Tiradentes, no centro de Curitiba. O motivo
do protesto foram as cobranças de taxas altas.
Acompanhamento
O presidente da Associação Brasileira de Bares, Restaurantes e Casas
Noturnas (Abrabar), Fábio Aguayo, acompanhou a luta de Magrão para
restabelecer seus direitos. A entidade entrou em contato com o
deputado federal Rubens Bueno (Cidadania), relator da Medida
Provisória (MP) da linha de crédito.
"Ele
(Bueno) vai nos escutar. Vamos dar subsídio para o deputado e
mostrar o que nossa categoria está passando durante a pandemia",
disse. Aguayo informou também que irá repassar ao parlamentar a
Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) movida pela Abrabar no
Supremo Tribunal Federal (STF) no final de março.
Ele
lembra que o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal
(STF), pediu ao Banco Central e ao Conselho Monetário Nacional
manifestação sobre a ADI movida pela Abrabar e a Confederação
Nacional do Turismo (CNTur), para renegociação de dívidas do
setor.
O caso do Magrão, informa o presidente da Abrabar,
sensibilizou inclusive o deputado federal Jerônimo Goergen (RS),
autor da Lei da Liberdade Econômica que viabiliza o livre exercício
da atividade econômica e a iniciativa. "A atitude extrema do
Magrão chamou a atenção até de parlamentares de outros estados",
completou Aguayo.